Maria de Medeiros desmente jornalista espanhol sobre criação de um estado ibérico

A actriz e artista portuguesa “lamenta”, em comunicado enviado às redacções, a atribuição “incorrecta” de uma afirmação que diz não ter feito, por parte de um jornalista da agência de notícias espanhola EFE. Interrogada sobre as correntes que propõem a união dos estados português e espanhol, Maria de Medeiros refere que “em nenhum momento” falou da criação de um “Estado Ibérico”.

Daniel Pinto Lopes

“Lamento que o jornalista da Agencia EFE presente na conferência de Imprensa que dei em Santa Cruz de Tenerife no dia 25 de Novembro de 2010 sobre o meu trabalho musical “Penínsulas & Continentes” me tenha atribuído, de forma incorrecta, uma afirmação que não fiz”, escreve Maria de Medeiros no comunicado enviado.

A artista e actriz portuguesa assevera não ter falado da criação de um “estado ibérico”, quando interrogada sobre as várias correntes que sugerem a união dos dois países da Península Ibérica. “Emiti sim a hipótese de uma “União” nos termos do que já existe na União Europeia, o que de forma alguma coloca em questão a independência de cada país”, afirma.

No mesmo comunicado, Maria de Medeiros sublinha a “longa história” que “une” e “diferencia” os dois países, apontando alguns exemplos.

Portugal e Espanha “desenvolveram e assentaram paralelamente as suas democracias, entraram juntos na Comunidade Europeia, apresentam agora uma candidatura unida para a organização do campeonato mundial de futebol e, infelizmente, afrontam de forma comum as dificuldades de uma grave crise económica. Não me parece despropositado imaginar possibilidades de soluções em que, unidos, ganhemos mais força”, afirma.

Contudo, diz não estar “convicta” de que actualmente estejam reunidas as condições para se falar da criação de um estado único, facto que “só poderia depender de uma vontade profunda, responsável e comum dos Povos da Península Ibérica”.

Culturalmente, Maria de Medeiros garante ser uma “iberista” e admira a “impressionante” riqueza e diversidade artísticas e linguísticas da Península Ibérica e crê nos “valores de solidariedade e da união na pluralidade”. Todavia, está “consciente” de que a “política e os atavismos sociais em geral levam anos a integrar o que a cultura clama”.

29 de Novembro de 2010 às 17:25

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